quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Questão de Tempo
O tempo! Um pouco mais de um ano é muito tempo? Não pretendo calcular com exatidão há quanto tempo não escrevo mais aqui. Mas talvez esteja na hora de voltar. Sim, nem que seja apenas para eu ler, ou para eu me ler. Porque tudo o que escrevo guarda um pouco de mim! Chega até a me assustar.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Na dança
Ele a põe de bruços como desprovido de sentimentos. Ela grita como desprovida de paixão. Aos poucos, seus corpos se entrecruzam, numa dança longe de parecer valsa. Ela o agarra, ele geme. Muito rápido para ela, exige dele o prazer. Como se obrigado, ele a embebeda. Tango perfeito. Corpos que se estranham, mas se tornam compassados. No final dormem... o gozo exige descando.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Pelo telefone
- Você já tentou meditação e yoga?
- Não só psicanálise...
- E adiantou?
- Foi legal...
- Quer assistir a um filme?
- Almodovar não...
- Por quê?
- É muito triste...
- Tá legal... e Wood Allen?
- Gostei... mas é só filme?
- Não... sacanagem também, é claro...
- Quer champagne ou vinho...
- Cerveja.
- Não tem...
- Hãaaa... você não gosta, né...
- Não..
- Posso leva sex pistols?
- Tá, mas vai ter que rolar Nirvana...
- okkkk.... teh depois..
- Tá me dispensando?
- Não é tenho que tomar banho...
- Tá legal...
- Teh depois.. diz que me ama?
- Não dá, não rola..
- tudo bem.. até depois...
- Não só psicanálise...
- E adiantou?
- Foi legal...
- Quer assistir a um filme?
- Almodovar não...
- Por quê?
- É muito triste...
- Tá legal... e Wood Allen?
- Gostei... mas é só filme?
- Não... sacanagem também, é claro...
- Quer champagne ou vinho...
- Cerveja.
- Não tem...
- Hãaaa... você não gosta, né...
- Não..
- Posso leva sex pistols?
- Tá, mas vai ter que rolar Nirvana...
- okkkk.... teh depois..
- Tá me dispensando?
- Não é tenho que tomar banho...
- Tá legal...
- Teh depois.. diz que me ama?
- Não dá, não rola..
- tudo bem.. até depois...
domingo, 27 de janeiro de 2008
Sistemas binários
Eles queriam coisas diferentes, mas ao mesmo tempo se queriam. Pararam e pensaram cada um por si, e acharam melhor dar um fim. Já não mais se acertavam. Ambos precisavam um do outro, mas a necessidade era diferente. Ele já não agüentava mais ter que se dar prazer toda a vez que ela virava o rosto para o lado oposto ao seu, na cama. Ela já não suportava esperar sozinha, com jantar e vinhos preparados, e perceber que ele além de chegar tarde, não dera bola para a mesa e as velas acesas.
Já não tinham horários compatíveis. Ela queria aquele sarau de poesia, no domingo à tarde. Ele não dispensava a cerveja com os amigos. Ela preferia à matemática, enquanto ele se debruçava nos livros de contos contemporâneos. Ele queria pular de asa delta. Ela ficar esfregando os pés por debaixo do coberto, naquela manhã de sábado.
Eles se queriam, mas já não havia saco um para o outro. No dia do ponto final, ele suspirou e ela acenando com a cabeça concordou. Pela última vez chegaram a um consenso. Nem se lembravam mais quando isso aconteceu da última. Ele pensou: “foi naquela noite, há uns seis meses atrás, quando na praia rolou de tudo, como seria bom se fosse sempre assim”. Já ela imaginou de quando, em plena serra, comendo fondue e tomando vinho dormiram agarrados, apenas dormiram, ao calor da lareira.
Ainda bem que não falaram seus pensamentos, porque com o silêncio, acabaram felizes. Acreditando que no final chegaram a uma via comum.
Já não tinham horários compatíveis. Ela queria aquele sarau de poesia, no domingo à tarde. Ele não dispensava a cerveja com os amigos. Ela preferia à matemática, enquanto ele se debruçava nos livros de contos contemporâneos. Ele queria pular de asa delta. Ela ficar esfregando os pés por debaixo do coberto, naquela manhã de sábado.
Eles se queriam, mas já não havia saco um para o outro. No dia do ponto final, ele suspirou e ela acenando com a cabeça concordou. Pela última vez chegaram a um consenso. Nem se lembravam mais quando isso aconteceu da última. Ele pensou: “foi naquela noite, há uns seis meses atrás, quando na praia rolou de tudo, como seria bom se fosse sempre assim”. Já ela imaginou de quando, em plena serra, comendo fondue e tomando vinho dormiram agarrados, apenas dormiram, ao calor da lareira.
Ainda bem que não falaram seus pensamentos, porque com o silêncio, acabaram felizes. Acreditando que no final chegaram a uma via comum.
domingo, 13 de janeiro de 2008
Manhãs e tardes de sono
Acordou ouvindo barulhos da bola que batia no muro em frente hall de entrada de seu prédio. Na penumbra pegou o celular e viu às 3 horas da tarde de um domingo. Pensou que fosse mais cedo. Sentiu o hálito acre da bebida da noite anterior. O gosto do vômito também compunha a camada pastosa de saliva na boca. Pensou em ir até o banheiro, mas teve preguiça. Passou a mão pelo cabelo e sentiu a gordura do coro cabeludo. Tão jovem e quase careca. Viu o cigarro do lado e o acendeu. Quem sabe assim poderia acordar mais disposto, ou pelo menos mais excitado.
A fumaça subiu bem em frente ao seu rosto. Por alguns momentos notou o teto do quarto. Há tempos já vinha retardando a pintura das paredes, o mofo dava um ar de tristeza e morbidez. O quarto na penumbra intensificava ainda mais essas sensações. Olhou para o lado e só então percebeu o corpo ao seu lado, viu que estava nu e sequer lembrava-se da noite anterior. Era uma garota. Teria o quê? Vinte anos? Quis levantar, mas desistiu. Na boca agora, além do gosto de bebida e vômito, se misturara também o gosto do cigarro.
Voltou a passar a mao nos poucos fios de cabelo que tinha, e novamente pensou que precisava de um banho. Não deu muita bola. Debruçou seu corpo sobre a cama e voltou a dormir, mesmo com o barulho infernal que vinha das batidas da bola no muro em frente ao hall de entrada de seu prédio.
A fumaça subiu bem em frente ao seu rosto. Por alguns momentos notou o teto do quarto. Há tempos já vinha retardando a pintura das paredes, o mofo dava um ar de tristeza e morbidez. O quarto na penumbra intensificava ainda mais essas sensações. Olhou para o lado e só então percebeu o corpo ao seu lado, viu que estava nu e sequer lembrava-se da noite anterior. Era uma garota. Teria o quê? Vinte anos? Quis levantar, mas desistiu. Na boca agora, além do gosto de bebida e vômito, se misturara também o gosto do cigarro.
Voltou a passar a mao nos poucos fios de cabelo que tinha, e novamente pensou que precisava de um banho. Não deu muita bola. Debruçou seu corpo sobre a cama e voltou a dormir, mesmo com o barulho infernal que vinha das batidas da bola no muro em frente ao hall de entrada de seu prédio.
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