quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Experimente



A vida é um sorvete. Tipo daqueles de casquinha que se compra no McDonald’s (gordura é com eles mesmos). Todo sorvete começa com cobertura e cheio de polpa. Aos poucos, ele vai diminuindo. Gela o dente e refresca. Quando chega na casquinha, o sabor recebe uma textura mais consistente. A facilidade para comer já não é mais a mesma. Obstáculos se impõem.

O sorvete se parece com a vida, porque experimentamos várias sensações. Aos poucos, vai acabando e, quase sempre a gente nem se dá conta. Vai consumindo, às vezes rapidamente, em outras, se degusta com zelo. Pra alguns, acaba cedo, pra outros parece nunca terminar. Em todo caso, todos concordam que engorda!

domingo, 16 de janeiro de 2011

O sonho explica!



O sonho é a manifestação de um desejo, diria Freud. Mas não de um desejo que explique logo de ‘cara’ a que veio. Não. Pelo contrário. Os Sonhos nos enganam. Pregam-nos peças. Confundem nosso consciente. É mais ou menos como se eles dissessem “Eu vim para te explicar, mas não pensa que é fácil”. Na minha imaginação, sempre idealizei que os sonhos estavam sobre um palco. Tipo atores. Lá no alto, eles desejam passar uma mensagem, mas quase sempre por tabela.

Lendo a “Interpretação dos Sonhos” comecei a fazer uma espécie de auto-análise (amadora é claro, e devo tá fazendo o velho Freud se revirar no túmulo). Mas a verdade é que tem funcionado. Os sonhos são desejos que nem meu próprio consciente seria capaz de imaginar. Descobri que desejo voar. Que não desejo cair no precipício enquanto ando de bicicleta, por isso, acordo. E que é preciso amadurecer, mesmo na tragédia.

OBS.: A minha fascinação pelos sonhos não vem dos meus próprios pensamentos inconscientes, mas da arte. Não me esqueço quando vi a primeira obra de Salvador Dali. Havia uma loucura transitória na pintura. Algo que não era real e que, após um tempo de análise, dava um desejo louco de acordar, sem ao menos estar dormindo!

sábado, 23 de outubro de 2010

FIM

AHHHHHHH!
Grita! Na sacada!

Tuff!
A gota de lágrima sobre o chão!

Bakk!
Faz o corpo inerte no meio da calçada!

sexta-feira, 5 de março de 2010

O Jogo

“Que jogo sacana esse seu olhar!” disse Augusto, enquanto tragava a fumaça do cigarro. Rita, ainda cansada de prazer, não se revoltou ao ouvir as palavras do parceiro de cama a chamando por tabela de dissimulada. “– Por quê? Você não gosta do meu olhar?”, perguntou ela, focando os olhos no rosto de Augusto. “– Gosto”, respondeu ele um pouco tímido, “- Me fascina o jogo de sedução”. “– Mas eu não costumo jogar. No jogo sempre há um perdedor”, argumentou ela tirando o cigarro da mão do companheiro. Depois dormiram, ele primeiro, enquanto ela ainda pensava na próxima disputa.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Fluidez

Eu fugia. Meio vacilante pela rua escura, deserta. Fugia, numa fuga psíquico-intelectuo-metafísica. E me escondia por entre espaços vazios dos móveis velhos, nos cantos escuros da casa empoeirada. E por mais que fugisse e por mais que me escondesse, não era possível desaparecer. No canto escondido, atrás da cômoda do quarto, ficava por horas intermináveis, dias, talvez. E sequer me achavam, sequer me procuravam. Meio, assim, sem norte, eu ia por caminhos confusos, estradas líquidas. Dias desses, apareceu alguém, a fuga meio que cessou, mas logo que ela se foi a sensação de perda se tornou ainda maior. Enclausurado, agora permaneço no vazio escuro, em alguns momentos, frio. Não sei se sairei dali, por enquanto permaneço, como o tronco no meio do deserto: seco, mas que fica ali o tempo todo, não há fuga, tampouco esperança.