Como pode??? Ontem mesmo, eu estava pronunciando aos quatro cantos que o amor não existe. E hoje, eu to aqui acreditando que eu estava errado. Ou talvez não! O que é o amor??? Quem tem certeza que aquele sentimento que provoca calafrios seja a amor??
Não sei!! E agora, justamente eu que acreditava que o amor era uma ilusão. E que a paixão era uma doença que não te deixava dormir. Logo eu que pensava que o que rolava era só pele, só sexo. Eu agora paro e começo acreditar que estava errado. E o que é pior! É algo unilateral, só meu de mais ninguém. Nem mesmo da pessoa desejada.
O olhar no olhar dela e só isso. Nem um beijo, nem uma aproximação. É algo inaudito e até certo ponto sexual. Eu sei que ela sabe e ela sabe que eu sei, mesmo assim é unilateral, é isolado, é destruidor. A certeza da não correspondência me alucina. O beijo que não tenho. A transa que não acontece. Tudo que marca a nossa distância aumenta a nossa aproximação.
domingo, 6 de janeiro de 2008
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
Um dia tudo acaba, mesmo que nos momentos menos prováveis

Ele sentou-se à mesa do bar, a primeira que viu. De longe acenou para o garçom e com uma voz de poucos amigos pediu uma dose cavalar de uísque. Olhou para os lados certificando-se de que a garota por quem se apaixonara não estava olhando. Mesmo que o caso deles tivesse acabado, se ela o visse bebendo faria naquele mesmo momento largar o copo.
Refletiu sobre a vida. Não que fosse um filósofo, mas naquelas horas, depois de duas doses, qualquer anti-sentimental ateu fica capaz de recitar belas frases. Não percebeu mais a movimentação do bar. Todos já tinham ido embora, só ele permanecera. E daí! Ele se bastava. Naquela solidão inconfortável, em quem fingia ser o máximo, chamou pelo garçom.
-Me traz mais uma dose!
Esperou por tempo ninguém mais veio. Nem mesmo o garçom, a figura mais acolhedora dos bêbados de plantão. Não reclamou, não adiantaria. Virou-se e saiu pela porta. Não sem antes deixar o dinheiro da conta sobre a mesa. A rua estava movimentada para as 3h da manhã. Como um bêbado descuidado largou-me pela rua sem qualquer atenção. Não deu dois minutos morreu atropelado naquela fria madrugada triste.
Refletiu sobre a vida. Não que fosse um filósofo, mas naquelas horas, depois de duas doses, qualquer anti-sentimental ateu fica capaz de recitar belas frases. Não percebeu mais a movimentação do bar. Todos já tinham ido embora, só ele permanecera. E daí! Ele se bastava. Naquela solidão inconfortável, em quem fingia ser o máximo, chamou pelo garçom.
-Me traz mais uma dose!
Esperou por tempo ninguém mais veio. Nem mesmo o garçom, a figura mais acolhedora dos bêbados de plantão. Não reclamou, não adiantaria. Virou-se e saiu pela porta. Não sem antes deixar o dinheiro da conta sobre a mesa. A rua estava movimentada para as 3h da manhã. Como um bêbado descuidado largou-me pela rua sem qualquer atenção. Não deu dois minutos morreu atropelado naquela fria madrugada triste.
sábado, 22 de dezembro de 2007
Na mochila uma vida

O barulho do fecho da mochila denuncia a partida. A bagagem aos poucos rompe o passado e sinaliza com um futuro diferente. Queria levar o quadro com as imagens dos amigos, mas já não há mais espaços para a lembrança. No trajeto novos amigos serão feitos, porém alguns deixados pelo caminho são eternos.
Sigo pra longe. O caminho? Nem eu mesmo sei. No fundo o que me guia é a loucura que me faz fugir. A poesia que traz a primavera abre um leque gigante de possibilidades de itinerários, por isso a escolha é tão difícil. A idéia mais clara por enquanto é seguir o vento, nem que para isso seja preciso recuar. Novas idéias surgem de idéias anteriores jogadas ao lixo.
A solidão da partida me causa nostalgia. A casa nunca mais será a mesma. Os movéis se empoeirarão e certamente a madeira não resistirá à fome dos cupins. O melhor tempo de uma vida que se foi, embora continue. Jogo os lençóis brancos sobre o sofá, talvez ele resista à degradação do sol. Agora já posso ir.
Na mochila só couberam os bons livros, e os CD’s de blues e rock’n roll, mas mesmo com tão pouco ela está pesada. Abandono o passado e foco no futuro. Talvez eu rache a cara. A única certeza é a de que se não tentar não saberei o resultado da experiência.
Sigo pra longe. O caminho? Nem eu mesmo sei. No fundo o que me guia é a loucura que me faz fugir. A poesia que traz a primavera abre um leque gigante de possibilidades de itinerários, por isso a escolha é tão difícil. A idéia mais clara por enquanto é seguir o vento, nem que para isso seja preciso recuar. Novas idéias surgem de idéias anteriores jogadas ao lixo.
A solidão da partida me causa nostalgia. A casa nunca mais será a mesma. Os movéis se empoeirarão e certamente a madeira não resistirá à fome dos cupins. O melhor tempo de uma vida que se foi, embora continue. Jogo os lençóis brancos sobre o sofá, talvez ele resista à degradação do sol. Agora já posso ir.
Na mochila só couberam os bons livros, e os CD’s de blues e rock’n roll, mas mesmo com tão pouco ela está pesada. Abandono o passado e foco no futuro. Talvez eu rache a cara. A única certeza é a de que se não tentar não saberei o resultado da experiência.
Imagem: obra "Guernica" de Pablo Picasso
domingo, 30 de setembro de 2007
Aquilo que, por enquanto, não faz sentido

Queria tomar um chimarrão caipira e desfrutar de um delicioso acarajé francês. Ouvir atabaques de umbanda na China. Não falar com conhecidos e confiar em estranhos. Andar sem destino. Tomar banho de rio no oriente médio e conhecer um astronauta no Saara.
Queria, também, correr em Moscou e dar uma passada pela cena underground de Londres. Topar com John Lenon seria até interessante. Acreditar que o mundo tem solução. Chorar de alegria e sorrir de desgosto. Sentir-me feliz com companhia e chorar sozinho. Subir nos andes e descer correndo. Ir ao Alasca e morrer de calor. Estar na Jamaica entulhado de roupas.
Na Polônia entoar lamentações familiares. Na Alemanha tomar vinho. Na Itália cerveja. Conhecer Los Angeles e se negar a fazer o mesmo com Holywood. Pedir informações do Bin Laden nos EUA. Presentear Marilyn Manson com um crucifixo. Contrariar Marx e apoiar Smith. Buscar o novo e destruir o velho. Enfim, acabar com essa obsolescência anacrônica.
Queria, também, correr em Moscou e dar uma passada pela cena underground de Londres. Topar com John Lenon seria até interessante. Acreditar que o mundo tem solução. Chorar de alegria e sorrir de desgosto. Sentir-me feliz com companhia e chorar sozinho. Subir nos andes e descer correndo. Ir ao Alasca e morrer de calor. Estar na Jamaica entulhado de roupas.
Na Polônia entoar lamentações familiares. Na Alemanha tomar vinho. Na Itália cerveja. Conhecer Los Angeles e se negar a fazer o mesmo com Holywood. Pedir informações do Bin Laden nos EUA. Presentear Marilyn Manson com um crucifixo. Contrariar Marx e apoiar Smith. Buscar o novo e destruir o velho. Enfim, acabar com essa obsolescência anacrônica.
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
... It's only word...“ ele olhou pra ela e disse:
-Tchau
Mas a sensação que fico não era a de desespero como antes
Era uma sensação de certeza
De que por mais que tentassem
Não se separariam”
-Tchau
Mas a sensação que fico não era a de desespero como antes
Era uma sensação de certeza
De que por mais que tentassem
Não se separariam”
Olheiras consomem meus olhos como o wisky o faz com fígado do escritor. Paro e recolho-me à cama, mas a insônia terrível que tanto me angustia não me permite o prazer do sono. Levanto, olho a rua vazia. Dizem que a noite deserta guarda os mais depravados segredos. Quando mais jovem, sonhava em correr à noite pela calmaria das ruas. Nunca criei coragem suficiente.
Aliás, minha coragem sempre foi tão limitada. Mas hoje não me arrependo das coisas que não fiz, mas das que fiz, e fiz mal feita. Também não foram tantas assim. Poderiam ter sido mais, mas tive preguiça. Essa mesma preguiça que agora me faz voltar à cama. Deito. Na minha frente: o teto. Por incrível que pareça, durmo. Sonhar seria pedir demais.
Aliás, minha coragem sempre foi tão limitada. Mas hoje não me arrependo das coisas que não fiz, mas das que fiz, e fiz mal feita. Também não foram tantas assim. Poderiam ter sido mais, mas tive preguiça. Essa mesma preguiça que agora me faz voltar à cama. Deito. Na minha frente: o teto. Por incrível que pareça, durmo. Sonhar seria pedir demais.
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